Entrei por um momento no Museu da República, ali onde outrora um grande líder político nacional fez sua saída trágica de cena dando um tiro nos miolos. Hoje é, nominalmente, um centro "cultural", mas como o que este nome em geral designa, é mais um dos muitos espaços de entretenimento para a classe média. Folheava eu então alguma coisa na livraria. Tocava "Unforgettable", naquela versão em que a engenharia de som simula um dueto entre Nat King Cole e sua filha, Natalie Cole. Um arremedo de contemporaneidade para o que em seu tempo teve sua beleza própria. Entram duas moças na livraria e uma comenta com a outra, sem se dar ao trabalho de não ser ouvida pelos presentes: "Que prediozinho decadente..."
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