domingo, 25 de setembro de 2011

Liguei um instante neste show do Red Hot Chilli Pepers, pra esse Rock in Rio aí.  Tocavam Californication, que na época em que foi lançada tinha um clipe muito sofisticado, inspirado em estética de video-games.  Esses são uns tempos fabulosos em que se tem contexto pra se falar de "estética" de video-game.  Mas enfim, achei uma chatice, uns caras velhos, velhos iguais a mim, que lembrei do clipe da música e de que se tratava de uma banda cujos integrantes só se apresentavam sem camisa.  Achei tudo isso uma grande bobagem, de gente que ficou pra trás mesmo, que vai repetir o mesmo truque de salão até morrer.  Então tive esta impressão do Rock, pelo menos deste rock aí que lota estádios, que tem seguranças na porta, que governa e mobiliza multidões.  Tá velho, não tá com nada, tá por fora e demodê.

Horas antes eu tinha visto uma banda composta por adolescentes desconhecidos tocar no sebo Baratos da Ribeiro, lá em Copacabana e este é o tipo de coisa que ainda me faz empenhar algum respeito;  tem também outra no Rio que merece atenção, que tão fazendo algo realmente interessante e enérgico e que ainda é rock: Spllash.  E só, terminou, Rock no Rio é isso, o resto é um bando de gente cafona fazendo pose pra uma plateia de gente com a mão estendendo um celular pro alto.  

Isso me deixa um bocado chateado porque eu estou achando este mundo todo mofado.  Tá tudo morto nessa linha de montagem, sempre os mesmos pacotes.  E a última chance era o rock. Era, até isso domesticaram. 

Então me consolo ouvindo bolero, que dos tempos idos me traz mais vida do que esta gente marrenta fazendo careta na tv.  Esta melancolia serena do Trio Los Panchos abrindo caminho para a meditação que é a voz de Eydie Gorme cantando Quando vuelva a tu lado.  É outra história!  É tão imenso que depois ecoa ainda arrebatador no What a difference a day made da Dinah Washington.  Acho que neste tempo o coração da gente batia muito mais forte do que nessas pirotecnias aí.  

Não se consegue mais fazer algo importante assim.  O que se faz é juntar-se a uma horda pra urrar ao redor de um palco que tem no centro um sociopata qualquer que não lembra nem mais o nome da primeira namorada, e depois esperar o próximo evento, e mais outro e outro, até que a gente não saiba mais nem o que é propriamente um acontecimento.

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