terça-feira, 26 de julho de 2011

Acuso a ingenuidade de quem julga que o Amor não oprime e só liberta.  Ainda se vai constatar que o Amor está nos fundamentos de qualquer forma de dominação.  Contra a ditadura do Amor não há Bastilha a se pôr abaixo, a resistência só o fortalece.  O único modo de vencer o Amor é deixá-lo fluir inconsequente e indeterminado*, até que não dê em nada, como é do seu pendor.  Só se vence o abismo do Amor abrindo-se em abismo maior que ele e deixando ele se perder em si próprio, na própria banalidade.

* Noutras palavras, sem a Justiça, que é seu consorte.  Com isso argumento que o Amor Romântico, aquele de que se espera um "final feliz", não é o Amor puro, mas é já normatizado e conduzido à realização do nascimento.  O Amor puro é demasiadamente brutal e sublime para se deixar domar no contentamento de qualquer obra.

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